O mês de outubro é marcado por uma das campanhas de saúde mais importantes do calendário mundial: o Outubro Rosa. Criado para conscientizar sobre o câncer de mama, o movimento busca alertar a população — especialmente as mulheres — sobre a importância da detecção precoce da doença, que é a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. A campanha também promove o acesso à informação, exames preventivos e tratamento adequado, além de combater o estigma que ainda cerca o diagnóstico.
No próximo dia 21 de outubro, o Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro irá realizar uma Reunião Extraordinária para tratar do tema, na sede da Secretaria de Estado de Saúde, no Rio Comprido, Zona Norte da cidade. O CES/RJ fará a transmissão ao vivo do evento através da CES-RJ TV, no YouTube.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em outubro de 2025, o Brasil deve registrar cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama neste ano. A doença representa aproximadamente 29% de todos os casos novos de câncer em mulheres, sendo mais comum nas regiões Sudeste e Sul do país. Embora os números sejam alarmantes, houve uma leve redução na mortalidade entre mulheres de 40 a 49 anos entre 2020 e 2023, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
Além do câncer de mama, o câncer de colo de útero também é uma preocupação significativa para a saúde das mulheres no Brasil. Em 2025, o INCA estima que o país registre cerca de 16.590 novos casos dessa doença. O câncer de colo de útero é causado, em grande parte, pela infecção persistente pelo vírus HPV (papilomavírus humano). A vacinação contra o HPV e a realização periódica do exame de Papanicolau são fundamentais para a prevenção e o diagnóstico precoce, com a recomendação de que todas as mulheres iniciem o rastreamento aos 25 anos.
O câncer de mama e o câncer de colo de útero são doenças multifatoriais, influenciadas por aspectos genéticos, hormonais, comportamentais e ambientais. Entre os fatores de risco para o câncer de mama estão o envelhecimento, histórico familiar, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e a primeira gestação tardia. A mamografia continua sendo o principal exame para rastreamento do câncer de mama, recomendado para mulheres entre 50 e 69 anos a cada dois anos. No entanto, o acesso desigual a esses exames ainda é um desafio em muitas regiões do país.

Além das ações governamentais, empresas e instituições têm se engajado cada vez mais no Outubro Rosa. Campanhas internas, palestras, iluminação de prédios e ações de solidariedade são algumas das formas de mobilização. Essa participação ativa da sociedade civil é fundamental para ampliar o alcance da mensagem e reforçar a responsabilidade coletiva na luta contra o câncer de mama.
O Outubro Rosa vai além do uso simbólico da cor rosa. Ele é um chamado à ação, à empatia e ao cuidado com a saúde feminina. Em um país onde milhares de mulheres ainda enfrentam barreiras para o diagnóstico e tratamento, a conscientização é uma ferramenta muito necessária. Falar sobre o câncer de mama é, acima de tudo, salvar vidas.
Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ