RIO DE JANEIRO – No dia 28 de agosto, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, recebeu a 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde. O encontro reuniu lideranças históricas da saúde coletiva, representantes de entidades sociais e autoridades políticas, todos em torno do compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com a democracia. Entre os presentes estavam o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; a presidente do Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Daniele Moretti; o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Alexandre Telles; além de Túlio Franco, da Frente pela Vida, Fernando Pigatto, ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde, Cida Diogo, superintendente do Minisério da Saúde do Rio de Janeiro, Carlos Fidelis, presidente do Cebes, e José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde, dentre outros.

Um dos momentos centrais da conferência foi a entrega da carta compromisso da Frente pela Vida ao ministro Alexandre Padilha. O documento reúne propostas estratégicas para o fortalecimento do SUS e para a consolidação de políticas públicas de saúde no próximo período. Ao receber a carta, Padilha afirmou: “Este compromisso é mais do que um documento, é um pacto coletivo pela vida. Não existe SUS sem democracia e não existe SUS sem financiamento adequado. O que reafirmamos aqui é que saúde não é mercadoria, é direito, e esse direito precisa ser sustentado por orçamento público e pela participação social”.
A presidente do Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Daniele Moretti, destacou a importância da mobilização plural e diversa que deu origem ao texto entregue ao ministro. “Nós precisamos de um SUS que seja do tamanho do povo brasileiro. Isso significa incluir pessoas negras, indígenas, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência. A saúde é direito de todos e dever do Estado, e não podemos permitir que esse princípio seja enfraquecido. A carta compromisso é fruto de uma construção coletiva e reafirma que a soberania popular se exerce também na defesa da saúde”, disse.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Alexandre Telles, reforçou a necessidade de valorizar os profissionais que sustentam o sistema. “Não há SUS forte sem trabalhadores valorizados. Precisamos debater carreira, remuneração justa e condições adequadas de trabalho. O SUS se sustenta no esforço diário de médicos, enfermeiros, técnicos e tantos outros profissionais que garantem o atendimento à população. Defender o SUS é também defender quem o faz acontecer”, declarou.
Getúlio Vargas Jr., representante do Conselho Nacional de Saúde, destacou a importância da unidade em defesa da soberania nacional, da democracia e do SUS. Em sua intervenção, afirmou: “Existe SUS sem dinheiro? Não. Existe SUS sem democracia? Não. E existe Brasil sem o SUS forte hoje? Não.” Getúlio fez uma convocação da Frente pela Vida e das entidades presentes a se engajarem nos territórios e nas conferências municipais e estaduais, preparando o caminho para a Conferência Nacional.

A conferência também celebrou os 50 anos do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde), entidade que foi fundamental na luta pela criação do SUS e que segue atuando como referência no debate sobre políticas públicas. Ex-ministros da Saúde, como José Gomes Temporão, lembraram que “o SUS nasceu da luta contra a ditadura e pela democracia, e continua sendo um espaço de resistência e de construção de futuro”.
Carlos Fidelis, presidente do Cebes, destacou a trajetória histórica e a luta pela construção do SUS. De acordo com ele, “o SUS não nasceu com a Constituição de 88. A Constituição e o SUS nasceram juntos de uma luta, uma luta da resistência à ditadura, uma luta pela democracia, com a luta por saúde para todos, saúde universal. Nós conquistamos o direito constitucional expresso na frase: a saúde é direito do cidadão e dever do Estado.”
Fidelis reforçou que essa conquista não caiu do céu, mas foi fruto de mobilização popular e que a luta continua para garantir que o direito à saúde seja efetivamente exercido.

Os debates abordaram temas como soberania nacional, financiamento da saúde, valorização dos trabalhadores e modelos de gestão do SUS. As propostas aprovadas serão encaminhadas à 18ª Conferência Nacional de Saúde, prevista para julho do próximo ano. Em meio ao processo eleitoral, os participantes reforçaram que “cuidar do povo é cuidar do Brasil” e que a defesa do SUS deve ser prioridade de qualquer governo comprometido com a democracia e a cidadania. O encontro atuou como uma etapa nacional preparatória estratégica para a 18ª CNS.

A entrega da carta compromisso ao ministro Alexandre Padilha marcou o esforço coletivo de entidades, movimentos sociais e conselhos de saúde em garantir que o SUS siga como patrimônio do povo brasileiro. A conferência livre deixou claro que sua defesa exige unidade, mobilização e compromisso permanente.
ABI, palco da democracia
A escolha da sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) para sediar a 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde também carregou forte mensagem. A ABI, historicamente ligada à defesa da democracia e da liberdade de expressão, foi palco de momentos decisivos da vida política e social do país. Realizar ali um encontro em defesa do SUS reforçou a ideia de que saúde e democracia caminham juntas. A presença das lideranças da saúde coletiva naquele espaço mostrou que o direito à saúde é inseparável da luta pela cidadania e pela soberania popular.

Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ
PUBLICAÇÃO DE ACORDO COM AS REGRAS CONTIDAS NA RESOLUÇÃO Nº 23.760 DE 02 DE MARÇO DE 2026, DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL.
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