Cenário da dengue no Rio é mais grave do que no ano passado

De acordo com dados recentes divulgados na imprensa, os casos de dengue aumentaram exponencialmente no estado do Rio de Janeiro em relação ao mês de janeiro do ano passado. Somente nas quatro primeiras semanas de janeiro, quase 20.000 pessoas teriam sido identificadas com a doença, ante as cerca de 1.400 de janeiro de 2023. As fortes chuvas e a persistente situação de água parada nos bairros e cidades estão entre as causas principais da contaminação.

Informações do Centro de Inteligência em Saúde do RJ – Cis/RJ apontam para uma taxa de letalidade de 0,01% e 3,96% de internações. Até o momento, as regiões mais afetadas são Centro-Sul, Médio Paraíba e Noroeste. A capital também está em alerta, já que a massa populacional concentra-se nela. Aproximadamente 9.284 casos foram registrados, o que representa 46,27% do total no estado. (Veja a incidência no seu município)

Imagem Cis/RJ

O Ministério da Saúde afirma que este aumento estaria “relacionado a uma série de fatores interligados, tais como o calor excessivo e as chuvas intensas e o ressurgimento dos sorotipos — variações genéticas do mesmo vírus — 3 e 4 da dengue no Brasil”. Quando um indivíduo é infectado por um destes sorotipos adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais. O ministério informou ainda que irá ocorrer a incorporação da vacina contra a dengue no SUS. A vacinação começa em fevereiro e será destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, por serem a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações pela doença depois dos idosos. Alguns especialistas mencionaram o fato da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) ter sido muito lenta no processo de incorporação destas vacinas.

Principais diferenças entre dengue, a zika e a chikungunya

A dengue, a zika e a chikungunya são arboviroses transmitidas por mosquitos e possuem algumas diferenças distintas:

Dengue: A dengue é causada pelo vírus da dengue, que é transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas incluem febre alta, dores musculares e articulares, dor de cabeça, erupção cutânea e, em casos graves, pode levar à dengue grave, que pode ser fatal.

Zika: A zika também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e, em alguns casos, pelo Aedes albopictus. Os sintomas da zika incluem febre baixa, erupção cutânea, conjuntivite, dores musculares e articulares, e em gestantes pode causar complicações sérias para o feto, como a microcefalia.

Chikungunya: A chikungunya é causada pelo vírus chikungunya, transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Os sintomas incluem febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e erupção cutânea. As dores articulares podem ser debilitantes e durar semanas ou meses.

A força do Controle Social para mitigar os efeitos da dengue no estado

Neste cenário de aumento significativo dos casos de dengue, o controle social desempenha um papel crucial na saúde pública, incluindo a mitigação dos efeitos da dengue no Rio de Janeiro. A participação ativa da sociedade na formulação, implementação e avaliação das políticas de saúde, no contexto da dengue, envolve a conscientização da população sobre as medidas de prevenção, como a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, a denúncia de possíveis focos de infestação e o engajamento em ações de limpeza e prevenção. Mas não só.

O controle social pode pressionar as autoridades locais e estaduais a implementar estratégias eficazes de combate à dengue, como campanhas de conscientização, monitoramento e controle do vetor, acesso a tratamento adequado e investimento em infraestrutura de saúde. A participação ativa da comunidade pode ajudar a identificar áreas de risco, promover a educação em saúde e contribuir para a mobilização de recursos para enfrentar o problema.

No caso específico do Rio de Janeiro, o envolvimento da população por meio de organizações comunitárias, conselhos de saúde, movimentos sociais e outras instâncias de participação popular pode ser fundamental para reduzir a incidência da dengue e minimizar seus impactos na saúde pública. O controle social fortalece a capacidade de resposta às doenças transmitidas por mosquitos, promovendo a colaboração entre governo, profissionais de saúde e comunidade para enfrentar desafios da doença.

Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ

Deixe uma resposta