Nota: Denúncia de ataques ao controle social e manifestação de apoio à Presidenta do Conselho Nacional de Saúde – CNS

O plenário do Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (CES/RJ) aprovou, em Reunião Extraordinária realizada no dia 26 de maio de 2026, uma nota oficial de denúncia e repúdio às medidas adotadas pelo Governo do Estado de São Paulo contra a presidenta do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano .

A decisão do governo paulista de negar a liberação sindical integral de suas funções de origem para as atividades institucionais no CNS é classificada pelo colegiado como uma tentativa de enfraquecer o controle social e a autonomia do SUS , configurando também uma violência política de gênero contra uma liderança eleita democraticamente . No documento, o CES/RJ manifesta solidariedade irrestrita à presidenta e cobra o cumprimento imediato da legislação que garante a participação popular na saúde .

Leia abaixo a íntegra da Nota.

Nota: Denúncia de ataques ao controle social e manifestação de apoio à Presidenta do Conselho Nacional de Saúde – CNS

As medidas adotadas pelo Governo do Estado de São Paulo contra a presidenta do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano, são um grave ataque ao controle social, à participação popular e à autonomia institucional do Sistema Único de Saúde (SUS).

Consideramos a negativa de liberação sindical integral da presidenta Fernanda Magano de suas funções no serviço de origem para dedicação às atividades institucionais do CNS uma tentativa de enfraquecer a atuação da principal instância de deliberação e participação social da saúde pública brasileira. Essa medida do governo de São Paulo desconsidera o papel de relevância pública do Controle Social, conforme as legislações vigentes.

Além do impacto institucional, a medida também é uma violência política direcionada a uma mulher eleita democraticamente para ocupar um espaço de representação nacional. Em um cenário marcado pelos desafios enfrentados pelas mulheres nos espaços de decisão e liderança, o cerceamento ao exercício do mandato da presidenta do CNS é uma nítida afronta à participação das mulheres na construção das políticas públicas e nos processos democráticos.

As críticas também podem se estender aos impactos sobre a articulação social construída historicamente por movimentos populares, entidades e conselhos de saúde em defesa do SUS. Limitar a atuação da presidência do CNS significa atingir diretamente os mecanismos de participação popular garantidos pela Constituição Federal e pela Lei nº 8.142/1990.

O episódio ocorre em meio à mobilização nacional da 18ª Conferência Nacional de Saúde, que reúne milhares de pessoas nas etapas municipais e estaduais em defesa do SUS, da democracia e da participação social.

Em vista disso, manifestamos total e irrestrito apoio ao Conselho Nacional de Saúde e à sua presidenta, Fernanda Magano, reafirmando a legitimidade de sua atuação à frente da maior instância de deliberação das políticas públicas de saúde do país e na condução do processo de articulação da 18ª Conferência Nacional de Saúde.

Repudiamos, de forma veemente, quaisquer ações de intimidação, perseguição política ou entraves institucionais e administrativos que tenham como objetivo fragilizar o exercício do controle social e limitar a atuação de representantes democraticamente eleitos.

Cobramos que o Governo do Estado de São Paulo respeite a legislação que rege o controle social no SUS, especialmente a Lei nº 8.142/1990, garantindo as condições necessárias para o pleno exercício das funções públicas desempenhadas pela presidência do CNS, sem constrangimentos, retaliações ou impedimentos burocráticos.

Ao reafirmar a defesa do Conselho Nacional de Saúde, destacamos que proteger a atuação do CNS e da sua presidência significa defender o SUS, a democracia participativa e o direito constitucional da população brasileira de participar da construção das políticas públicas de saúde.

Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro

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