RIO DE JANEIRO – As ações contra a tuberculose no estado do Rio de Janeiro foram apresentadas durante a Reunião Extraordinária do Conselho Estadual de Saúde, realizada no auditório da Secretaria de Estado de Saúde, no Rio Comprido, Zona Norte da cidade, no último dia 24 de janeiro de 2025. A apresentação dos projetos e ações desenvolvidas pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde foi conduzida por Andréia Santana, que agora ocupa o lugar de Deise Muller. Ela destacou a importância da mobilização social no enfrentamento da doença, com a participação de Suzete Yones, responsável pela área de mobilização social.

O Projeto “Fortalecer”
Suzete Yones apresentou o Plano Estadual de Controle e Eliminação da Tuberculose, que visa fortalecer a capacidade de atuação de coletivos e instituições da sociedade civil. O projeto, denominado “Fortalecer”, tem como objetivo ampliar as ações de enfrentamento à tuberculose, com um foco especial em áreas prioritárias do estado. Durante sua fala, Yones compartilhou dados sobre o alcance social das iniciativas, incluindo cursos, formações e exposições artísticas realizadas em comunidades.
Um ponto destacado foi a qualidade das ações de advocacy e controle social, especialmente no contexto do Fórum e do CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde). A importância do fortalecimento do Fórum foi enfatizada, com a necessidade de apoio às ações de organização interna. Dos 40 planos de ação selecionados, 39 estão localizados em áreas prioritárias, onde ações educativas foram realizadas ao longo de 2024.
Capacitação e mobilização
O projeto também se destacou pela capacitação de ativistas em 31 municípios, resultando em mais de 400 vagas preenchidas, um feito após um período de dificuldades. A aproximação com o CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal) foi mencionada como uma novidade, ressaltando a importância da segurança alimentar no contexto da saúde pública.
Yones introduziu o projeto “Tuberculose: Informação Salva Vidas”, que busca criar uma rede de comunicadores populares para disseminar informações sobre a tuberculose, especialmente para aqueles que enfrentam barreiras de acesso à comunicação convencional. As oficinas realizadas e o alcance nas redes sociais foram destacados como ferramentas eficazes no combate à desinformação.
Questões dos conselheiros
Os conselheiros presentes na reunião levantaram questões importantes sobre a continuidade e a sustentabilidade dos projetos. Conselheira Regina Célia de O. Bueno expressou preocupações sobre a taxa de incidência da tuberculose e a necessidade de abordar a tuberculose ganglionar, citando sua experiência pessoal com a doença. A falta de medicamentos, como a rifampicina, foi um tema recorrente, com apelos para que a sociedade civil se mantenha atenta à sua disponibilidade.
A conselheira Rosemary Mendes destacou a relevância da participação dos Conselhos Municipais de Saúde, enfatizando que a gestão e o diagnóstico dependem do apoio das gestões municipais. Ela alertou para a situação alarmante da tuberculose na Baixada Fluminense, onde a incidência é mais alta.
A importância do Controle Social
O controle social foi um tema central nas discussões, com a necessidade de garantir que as ações sejam efetivas e que a população tenha acesso às informações necessárias. Conselheiro André Ferraz parabenizou a iniciativa da Secretaria Estadual de Saúde e sugeriu que outras entidades se envolvessem no processo de mobilização social.
A reunião culminou em uma votação sobre a necessidade de um posicionamento do Conselho Estadual de Saúde em relação aos recursos da ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), especialmente considerando que a tuberculose é uma doença associada à pobreza. A proposta foi aprovada com 16 votos a favor.
Trabalho contínuo
O combate à tuberculose no Rio de Janeiro é um trabalho contínuo que requer a colaboração de diversos setores da sociedade. As iniciativas apresentadas na reunião demonstram a mobilização social e a informação qualificada, mas também evidenciam a necessidade de um trabalho constante e integrado para superar as barreiras existentes. A luta contra a tuberculose é uma responsabilidade coletiva, e a participação de todos é fundamental para garantir que os avanços sejam sustentáveis e que a saúde pública no estado melhore a cada dia.
RELACIONADA
Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ



