Nesta sexta-feira, 19 de setembro, o Brasil comemora os 35 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), consolidado como o maior sistema público, gratuito e universal de saúde do planeta. Criado a partir da histórica 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, e institucionalizado pela Constituição de 1988, o SUS representa uma virada na concepção de saúde como direito humano e dever do Estado.
Marco legal e transformação histórica
A regulamentação do SUS ocorreu com a assinatura da Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080), em 19 de setembro de 1990. Antes disso, o acesso à saúde pública era restrito a cerca de 30 milhões de trabalhadores formais vinculados à Previdência Social. A maioria da população dependia de caridade, serviços filantrópicos ou pagamentos diretos para obter atendimento médico.
Hoje, o SUS atende diretamente 76% da população brasileira — cerca de 213 milhões de pessoas — e realiza anualmente 2,8 bilhões de procedimentos, com o apoio de aproximadamente 3,5 milhões de profissionais de saúde.
Dados macros do SUS em 2025
| Indicador | Valor Atual (2025) |
|---|---|
| População atendida | 213 milhões (76% dos brasileiros) |
| Atendimentos anuais | 2,8 bilhões |
| Profissionais atuantes | 3,5 milhões |
| Rede pública de transplantes | Maior do mundo, com 30 mil procedimentos em 2024 |
| Estratégia Saúde da Família | Presente em todas as regiões do país |
Controle Social: pilar da democracia sanitária
Mais do que números, o SUS é sustentado por um modelo democrático que valoriza a participação cidadã. O Controle Social, exercido por meio de conselhos e conferências de saúde, é essencial para garantir que as políticas públicas reflitam as necessidades reais da população.
O Controle Social é componente estrutural do SUS e garante que a sociedade tenha voz ativa na formulação, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde. Essa atuação fortalece a transparência, a equidade e a efetividade do sistema.
Saúde como direito humano
A celebração dos 35 anos do SUS é também um reconhecimento da superação de um legado colonial excludente. Falar em saúde como direito humano, por muito tempo, foi considerado utópico no Brasil. Hoje, graças ao SUS e à mobilização social, esse direito é realidade para milhões.
