O que se sabe sobre a variante EG.5 do coronavírus

O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso da variante EG.5, apelidada de Éris, do coronavírus causador da covid-19. A paciente, uma brasileira de 71 anos de São Paulo, apresentou sintomas como febre, dor de cabeça, tosse e fadiga em julho, sendo diagnosticada com covid-19 em agosto. Apesar de estar vacinada, ela recebeu tratamento hospitalar e se recuperou. A variante Éris está crescendo globalmente, sendo dominante nos EUA e Reino Unido. Ela é considerada uma “variante de interesse” pela OMS, com risco baixo para saúde pública.

A EG.5 é uma subvariante da Ômicron, observada desde fevereiro de 2023, sendo apelidada de Éris nas redes sociais. Essa nomenclatura é informal, pois a OMS utiliza letras gregas para nomear variantes principais. A EG.5 e subvariantes próximas, como 5G.5.1, estão se disseminando no Reino Unido e EUA. Não há indicação de que a Éris seja mais perigosa, embora possa escapar do sistema imunológico mais facilmente. Os sintomas não diferem das outras variantes. A vacinação é a melhor defesa, e especialistas monitoram a situação para avaliar impactos nas vacinas.

A variante EG.5 é mais perigosa?

Com base nas evidências disponíveis, a subvariante Éris não parece causar efeitos mais graves do que outras variantes atuais de interesse, de acordo com os funcionários da OMS. Embora alguns testes indiquem que ela pode evadir o sistema imunológico com mais facilidade, isso não significa que leve a doenças mais severas. No Reino Unido, houve um pequeno aumento nas hospitalizações nas últimas semanas, principalmente entre indivíduos com mais de 85 anos, mas os números ainda são menores do que em ondas anteriores. Não houve aumento significativo de pessoas gravemente doentes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A subvariante Éris continuará a ser monitorada por especialistas globalmente, especialmente com o retorno das escolas e universidades após as férias de verão no hemisfério norte.

Nota da UFRJ gerou repercussão

No último dia 16, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) emitiu uma recomendação para retomar o uso de máscaras em ambientes fechados e aglomerações, além da higienização frequente das mãos, devido a um aumento de casos de Covid-19 na instituição. O Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier) mencionou cerca de 1,5 milhão de novos casos de Covid-19 registrados entre 10 de julho e 6 de agosto, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como justificativa para essa recomendação. O comunicado classificou o aumento de casos na comunidade acadêmica como “moderado e progressivo”. A universidade também ressaltou a importância da testagem em caso de sintomas respiratórios ou contato próximo com casos de Covid-19, indicando o atendimento no CTD/Needier.

Anselmo Cunha /Agência RBS

Embora a universidade federal tenha elencado importantes argumentos para sustentar a recomendação do uso de máscaras nas suas dependências, outras instituições como UERJ, UFF, Unirio não chegaram a tanto e apenas disseram que acompanham diariamente a situação epidemiológica ocasionada pelo coronavírus sem, contudo, recomendarem o retorno do uso de máscaras.

Prefeitura do Rio e SES/RJ discordaram da nota da UFRJ

O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz afirmou que “não há neste momento nenhuma alteração no cenário epidemiológico que justifique o uso indiscriminado de máscara”. O médico ainda destacou a necessidade da população acima de 12 anos tomar a dose de reforço com a vacina bivalente, disponível nos postos da cidade.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde – SES/RJ afirmou que “não observou aumento representativo de casos e óbitos de Covid-19 nas últimas semanas” e que a pasta “acompanha diariamente os indicadores precoces da doença no estado, entre eles, o número de solicitações de leitos e de atendimentos nas emergências e nas UPAs da rede estadual”. Segundo o comunicado, até o momento, não foi identificado aumento significativo. A secretaria também diz que “há ainda monitoramento das variantes do vírus SARS-CoV-2 por meio de vigilância genômica. A Ômicron segue como a cepa predominante dos casos sequenciados pelo estudo”.

A Organização Mundial da Saúde – OMS recentemente informou que “coletivamente, as evidências disponíveis não sugerem que a EG.5 apresente riscos adicionais à saúde pública em relação às outras linhagens descendentes da Ômicron atualmente em circulação”, disse a organização em sua avaliação de risco. Ainda assim a OMS classifica a nova cepa como “variante de interesse”.

Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ

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