Rio de Janeiro realiza o Dia D da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora

RIO DE JANEIRO – O Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, em uma iniciativa conjunta com a Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Comissão Organizadora da 5ª Conferência Estadual de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (CESTT-RJ), promoveu uma ação inédita no Controle Social no estado: o Dia D da da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora no âmbito da 5ª CESTT-RJ. O evento, realizado no último dia 28 de março, teve como cenário a Central do Brasil, um dos pontos mais movimentados da cidade, onde mais de 400 mil pessoas transitam diariamente.

Dia D da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. (Foto: Daniel Spirin)

O objetivo central do Dia D foi mobilizar e conscientizar trabalhadores e trabalhadoras sobre a saúde e seus direitos no ambiente de trabalho como um direito humano, em preparação para a próxima conferência. Conselheiros estaduais de saúde, membros da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (CISTT), Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), sindicalistas, gestores do SUS, usuários e profissionais, além de representantes de movimentos sociais, Fiocruz e UERJ se uniram para discutir a saúde como um direito humano essencial.

Abordagem aos trabalhadores na Central do Brasil. (Foto: Daniel Spirin)

Uma grande tenda foi montada para servir como espaço de escuta e orientação, onde foram esclarecidos os direitos dos trabalhadores. O evento também incentivou a coleta de sugestões e queixas, proporcionando um ambiente acolhedor para que os participantes compartilhassem suas experiências e preocupações relacionadas à saúde no trabalho.

Abordagem e troca de informações. (Foto: Daniel Spirin)

Dividido em diferentes blocos, o Dia D ofereceu folhetos informativos e orientações personalizadas sobre saúde ocupacional. Palestras com especialistas e profissionais experientes na área de saúde e direitos humanos enriqueceram a programação. A animação ficou por conta do Pagode da Comlurb, que trouxe alegria ao público durante a manhã e a tarde. Além disso, o Teatro Bacurau Morhan apresentou uma ação lúdica de palhaçaria, tornando a experiência ainda mais leve e divertida.

Foto: Daniel Spirin

Frases provocativas, como “Você sabia que o SUS se preocupa com a saúde da pessoa trabalhadora?” e “Como estão suas condições de trabalho?”, instigaram a reflexão e a participação do público.

Dia D na Central do Brasil. (Foto: Daniel Spirin)

Helena, uma cuidadora de idosos que passava pelo local,compartilhou suas preocupações e experiências sobre a saúde tanto dos trabalhadores quanto dos idosos sob seus cuidados.

“Hoje, o que parece mais importante para a saúde do trabalhador é a melhoria no atendimento, especialmente nas unidades de saúde e hospitais, que estão faltando em muitas áreas. Precisa de tudo isso. Falta muita coisa para melhorar”, destacou Helena, enfatizando os desafios que enfrenta diariamente.

Cuidadora de idosos parou para conhecer mais sobre o Dia D. (Foto: Daniel Spirin)

Questionada sobre a possibilidade de mudanças nas políticas públicas, Helena expressou sua frustração: “Se ouvir a gente, né? Mas às vezes a gente não é ouvida. A política deixa muito a desejar. Então, acho que se ouvissem, melhoraria mesmo.”

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Helena, que estava presente apenas para se informar sobre a situação atual da saúde, comentou:

“É a primeira vez que eu vejo algo do tipo de saúde. Aproximei para saber o que está acontecendo.”

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Destaques nas falas

Luiz Carlos Fadel, doutor em Saúde Pública, pesquisador do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (Dihs/Ensp/Fiocruz) e membro da CISTT – Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, do Conselho Nacional de Saúde, prestigiou o evento e destacou a saúde como um direito humano:

“É só olhar para o lado, né, gente? É uma maravilha ver as pessoas indo e vindo, chegando e voltando para o trabalho. Essas pessoas têm direitos humanos quando trabalham. Elas não podem adoecer em função do trabalho, nem podem morrer por causa dele. Essa alegria, esse sorriso das pessoas que transitam por aqui precisam ser sustentados por uma saúde plena no ambiente de trabalho. É fundamental entendermos que a Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora é, sim, um direito humano inalienável e eterno, disse Fadel.

Ao centro, Luiz Carlos Fadel. (Foto: Daniel Spirin)

Daniele Moretti, coordenadora da 5ª CESTT-RJ, afirmou que “a realidade dos trabalhadores no entorno da Central do Brasil reflete as dificuldades enfrentadas diariamente, questionando: “Qual é o direito humano que têm os trabalhadores?”

Atualmente, mais de 40% da população brasileira vive na informalidade, o que implica na importância de se falar em direitos humanos dos trabalhadores.

“Qual é o direito humano que temos para aqueles que não têm carteira assinada, que não têm acesso ao INSS? É nesse contexto que o Sistema Único de Saúde (SUS) se manifesta, abordando as necessidades e direitos dos trabalhadores em situação de vulnerabilidade. A luta por dignidade e reconhecimento dos direitos dos trabalhadores continua, e a conscientização sobre essas questões é mais importante do que nunca, afirmou Daniele.

Fátima Sueli, Sueli da Silva, Daniele Moretti e Ângela Lourenço. (Foto: Daniel Spirin)

André Ferraz, conselheiro estadual de saúde, situou a importância da realização do Dia D na Central do Brasil e salientou que a saúde pública dá um passo à mais em direção aos direitos dos trabalhadores.

“Esse dispositivo que está aqui na Central do Brasil não poderia estar em local melhor. É aqui que o trabalhador chega, é aqui que o trabalhador volta para casa, é aqui que o trabalhador se encontra. Ele passa por aqui todos os dias, seja no trem, no metrô ou no ônibus. Esse trabalhador transita pela Central do Brasil a caminho do seu trabalho, levando dignidade para sua família, seja ele trabalhador formal ou informal. A saúde pública, depois de mais de 10 anos, pesados 11 anos, sem uma parte dedicada à saúde do trabalhador ou da trabalhadora, agora dá um passo importante. Em uma conferência de saúde, estamos aqui hoje para anunciar a [5ª] Conferência de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, que acontecerá no mês de junho nesta cidade. Durante os períodos de março, abril e junho, os 92 municípios e as regiões de saúde estarão envolvidos nesse processo.”, completou André Ferraz.

Conselheiro André Ferraz. (Foto: Daniel Spirin)

Leonardo Légora, presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES/RJ), destacou a importância da participação de todos na conferência estadual, um evento que não ocorre há anos. Ele enfatizou que a participação ativa nos conselhos de saúde é fundamental para garantir uma saúde pública de qualidade no estado. “Somente a participação de todos os setores na conferência, no dia a dia dos conselhos de saúde, vai fazer com que possamos ter uma saúde pública de qualidade”, disse.

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Légora também abordou a resistência necessária diante das imposições que afetam os trabalhadores.

“Nós não podemos aceitar aquilo que é imposto, colocado para nós, como se não tivesse mais jeito. Nós temos que fazer o nosso papel”, alertou, convocando tanto os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto os que atuam fora dele a lutar por seus direitos”, disse.

O presidente do CES/RJ fez um apelo para que os trabalhadores utilizem os serviços dos Cerest, onde podem ser atendidos e fazer valer suas vozes contra assédios que adoecem diariamente. Ele mencionou a situação de uma trabalhadora que, após começar a trabalhar, passou a enfrentar diversos problemas de saúde devido ao assédio constante. “São as mulheres, normalmente pretas, que ocupam cargos iguais aos homens, mas recebem salários mais baixos”, destacou Légora.

“Não podemos aceitar que isso continue acontecendo. Nem aqui, nem em lugar nenhum”, enfatizou, pedindo que o povo se una e exerça seu poder nas urnas. “Nós não seremos intimidados. Está na Constituição que o poder emana do povo, e disso não podemos fugir.”

Légora também lembrou a importância de fazer valer as leis trabalhistas e incentivou os trabalhadores a denunciarem irregularidades. “Quando você tiver denúncia, use também o Ministério do Trabalho. Em cada cidade, há Delegacias Regionais do Trabalho que aceitam denúncias anônimas sobre o não cumprimento das regras trabalhistas”, concluiu, enviando um “grande abraço a todos”.

Leonardo Légora, presidente do CES/RJ. (Foto: Daniel Spirin)

Lidiston Pereira da Silva, vice-presidente do CES/RJ e coordenador da Subcomissão de Comunicação, Articulação e Mobilização da 5ª CESTT-RJ, destacou a aproximação com o trabalhador através do diálogo.

“É com muita alegria que conseguimos estar aqui para realizar este trabalho de mobilização, que tem como finalidade destacar a importância da saúde do trabalhador e da trabalhadora como um direito humano. Este espaço, construído pelo Conselho Estadual de Saúde, visa criar um diálogo e uma conversa, aproximando-se do trabalhador. Hoje, dia 28 de março, é um dia importante em que ressaltamos a saúde do trabalhador e da trabalhadora.”, completou Lidiston.

Conselheiro Lidiston Pereira. (Foto: Daniel Spirin)

Conselheira Ângela faz discurso intenso

Em um discurso carregado de intensidade, a conselheira estadual de saúde, Ângela Lourenço, subcoordenadora da 5ª CESTT-RJ, motorista de ônibus com 28 anos de experiência compartilhou sua história e a importância da saúde dos trabalhadores durante um evento de mobilização. “Boa tarde, não só para a minha categoria. O motorista de ônibus sabe o quanto sofre. Eu sou a pessoa viva que pode contar a história do motorista de ônibus”, afirmou.

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Ela enfatizou a luta diária dos trabalhadores, ressaltando que “todos nós aqui sabemos que somos trabalhadores, e ninguém tem direito a correr atrás”. Ângela pediu aos técnicos que estudam a realidade dos trabalhadores que continuem na luta, lembrando que “todos nós é que contamos a história para vocês”.

Conselheira Ângela Lourenço. (Foto: Daniel Spirin)

Ângela, que recentemente se tornou conselheiroa representando a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), fez um apelo a todos os conselheiros: “Divulguem mais essa conferência, porque os trabalhadores estão sofrendo há 14 anos sem uma conferência para falar da saúde.” Ela destacou a importância de uma conferência inclusiva, afirmando: “Nós queremos uma conferência não só para os conselheiros, mas para os trabalhadores levarem a sua voz.”

Ela agradeceu a colaboradores e pediu apoio do secretário do município do Rio de Janeiro, ressaltando a necessidade de melhorias nas condições de trabalho: “Os trabalhadores precisam ter voz, precisam.”

A conselheira concluiu com um chamado à ação:

“Precisamos de uma pauta de reivindicação para melhorias e condições de trabalho para todos os trabalhadores desse país. Rumo aqui para a Conferência de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora.”

A próxima etapa desse ciclo será a 5ª Conferência Estadual de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Rio de Janeiro, agendada para os dias 13 a 15 de junho de 2025. As etapas municipais se estenderão até 16 de março de 2025, enquanto as regionais seguirão até 15 de abril de 2025, culminando em uma Plenária Ampliada do CES-RJ até 22 de abril de 2025. A Conferência Estadual será de 13 a 15 de junho de 2025.

Organizadores explicaram a luta pelo fim da escala 6 x 1 aos trabalhadores. (Foto: Daniel Spirin)

O Dia D da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora também foi uma grande parceria com sindicatos, centrais sindicais, Cedae e Supervia. Agradecimentos especiais para o Pagode da Comlurb e para o Teatro Bacurau Morhan.

BANCO DE IMAGENS

Daniel Spirin/Ascom CES-RJ

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